domingo, 10 de julho de 2011

Triste fim de Samuel

Triste fim de Samuel
Preto, pobre e pensador
Tudo assim
Meio sem valor


Agora
Moribundo
Presunto
Tendo a igualdade negada
Recusado até mesmo nas filas do SUS

Agora
Bilha em morte
nos jornais e na TV
não por preto e pobre
mas por se pensador

E a comoção se aglutina marcada de vergonha

E nas esferas do poder
alguém se pronuncia?
Mas falar o que?
se as cores já vem carregadas de valores...

sexta-feira, 8 de julho de 2011

estranhamente

Deparo-me com um quadro e nele uma figura que me olha fixamente. Um pouco de desejo exala mas não sei ao certo de qual dos lados...
Estranhamente a figura começa a abaixar-se e mantendo o olhar, parece que se oferece.
Algo se move.
Agora sim, em ambos, bocas se entreabem. Um segundo de razão me assombra! É apenas um quadro que me domina, me desperta, me consume... Abandono a razão. De que me serve se fria? Escolho o desejo simples e insano. Agora abandono o meu corpo e ele finalmente é meu no ato da entrega. Toco algo frio e aspero, inerte e mesmo assim sei que há algo ali que me invade.

dona flor

a flor que surgiu no asfalto
aquela mesma que rompeu o tédio
sei bem que ela era
a mesma que rompeu ódio
com o próprio ódio de si mesma
como pode?
sempre me lembro daquela flor
como pôde?
com que força?
sei bem quem era!
flor como dizem:
- Dona flor!
viado de esquina.
dada as imundicie do mundo
da beleza da carne dos homens
surgiu no afalto!
com a mesma  força que rompeu o próprio rumo
Dona flor!
viado de esquina!
que rompe o ódio, o tédio, o nojo
e mesmo assim ainda vive